Longe de transformar o Toró de Parpite numa plataforma política, mas alguns temas que discutimos possui relação direta com esse assunto e na semana passada o anúncio de mudanças na nova gestão do Estado de Goiás, pelo Governador Marconi Perillo, provocou discussões calorosas, algumas extremas, principalmente relacionadas a unificação das Secretarias de Educação, Cultura e Esportes.

A extinção de milhares de cargos públicos é de certa forma positiva, desonerará a folha de pagamentos do estado, perde-se todo aquele apadrinhamento e penduricalho político que existe, mas a questão é embaraçosa em muitos aspectos, afinal, dezenas de projetos serão colocados em segundo/terceiro plano  e outros completamente abandonados.

Mesmo que tenhamos nos livrado daquele “amontoado” de pessoas que não fazem simplesmente nada ou que colaboram muito pouco com todo o processo, nesse ponto, a gestão pública é bem similar a gestão privada: o trabalho intelectual desenvolvido por uma parcela de pessoas será completamente perdido, afinal, praticamente tudo estão em suas cabeças.

Seria fantástico admitir que os investimentos em Educação, Cultura e Esporte fossem de verdadeiro interesse dos nossos gestores, mas convenhamos, quanto mais puderam adiar ou não disponibilizarem o recurso, melhor.

Hoje, a maioria dos Goianos não sabem de sua história ou cultura. Perdeu a sua identidade e com isso não a valoriza. A culpa? Talvez pelo grave distanciamento entre Educação / Cultura, onde o tema inclusive é pouco explorado nas escolas, em todos os níveis, fundamental, médio e universitário. Definitivamente, pouco vemos e estudamos sobre a nossa própria “cultura”.

A prática esportiva e os momentos de lazer são outros pontos que merecem grande atenção, cada dia mais vivemos numa loucura desenfreada, numa vida cheia de stress  provocada pelo excesso de trabalho, informações e pelo pequeno contato familiar. Queremos tudo o mais rápido que der, pra anteontem se possível.

Ainda sou daqueles que acredita numa grande mudança, talvez utópica, proporcionada pela adequada distribuição e alocação dos recursos públicos nessas áreas. O impacto social e econômico seria gigantesco com uma população mais feliz, instruída e capaz de tomar decisões assertivas para si, para os seus negócios e para os indivíduos que vivem em sua volta.

Os desafios da unificação de grandes pastas são enormes, mas perfeitamente possível, desde que exista corpo técnico e de gestão capazes de trabalhar efetivamente em prol do seu desenvolvimento e não apenas com caráter político, como vemos comumente.

A questão é que o próprio Governador está na berlinda e a oportunidade de fazer algo diferente é grande. A população já cansou de tanto falatório e nada sair do lugar, então me parece um retrocesso, mas um mal necessário. E que deixemos a vaidade, os interesses pessoais de lado e cobremos pulso firme na implantação de um novo método de trabalho, com os profissionais certos para essa mudança. E a pergunta mais difícil, eles existem?